| Aprender a conviver também faz parte da formação escolar. No dia a dia, crianças e jovens precisam lidar com diferentes opiniões, personalidades e formas de pensar. Essas experiências podem contribuir não apenas para o desenvolvimento social e emocional, mas também para a maneira como os estudantes participam das aulas, enfrentam desafios e constroem sua autonomia.
“Conviver não é apenas uma condição para aprender. Conviver é, em si, uma aprendizagem construída de forma intencional e progressiva desde a Educação Infantil até o Ensino Médio”, afirma Carolina Sperandio, diretora da Unidade Granja Vianna do Colégio Rio Branco. Para ela, a convivência escolar não deve ser entendida como a ausência de conflitos, mas como a construção de um ambiente em que os estudantes possam conviver com as diferenças, expressar suas ideias e encontrar maneiras respeitosas de lidar com os problemas.
Relações também influenciam a aprendizagem
O sentimento de pertencimento e a confiança nas relações previstas dentro da escola podem fazer diferença na disposição dos estudantes para aprender. Se sentir seguro para perguntar, errar e tentar novamente faz parte do processo de aprendizagem.
“Aprender é enfrentar o desconhecido e sair da zona de conforto, e isso exige esforço, disposição e constância. Um estudante que se sente acolhido, seguro, pertencente ao grupo e tem confiança em seus professores, tende a participar mais da aula, se arriscar diante do que não sabe com mais coragem e ter mais resiliência para superar frustrações”, sinaliza Carolina. Nesse sentido, projetos estruturados de convivência ajudam a criar oportunidades para que os alunos entrem em contato com seus próprios sentimentos, construam vínculos com adultos de confiança, respeitem diferenças e reflitam sobre as consequências de suas atitudes.
“No Colégio Rio Branco, esse trabalho começa na Educação Infantil e segue até o 5º ano com uma aula semanal inserida no currículo, além de ser desenvolvido em diferentes situações do cotidiano escolar”, explica a diretora.
Mais do que ensinar regras
Empatia, comunicação, responsabilidade, autoconhecimento e autorregulação estão entre as competências designadas por meio desse tipo de trabalho. A ideia é que os estudantes compreendam não apenas quais são as regras, mas também os motivos que existem por trás delas e as consequências de suas escolhas.
“Não basta ensinar uma regra. É preciso ajudar o estudante a compreender por que as regras existem, quais são as consequências do descumprimento e como agir quando interesses pessoais entram em conflito com os interesses do outro”, afirma Carolina.
O diálogo é uma das principais ferramentas utilizadas nesse processo. Ao analisar uma situação, os estudantes podem ser estimulados a pensar sobre o que aconteceu, como cada pessoa interpretou o episódio, quem foi afetado e quais sentimentos envolvidos. “Uma criança aprende respeito quando percebe que sua opinião é ouvida. Aprende responsabilidade quando precisa reparar algo que fez. Aprende empatia quando é convidada a pensar: ‘Como será que essa pessoa se sentirá?'”.
À medida que as estratégias mudam conforme a idade
O desenvolvimento dessas competências acontece de maneiras diferentes ao longo da vida escolar. Na Educação Infantil, as experiências passam principalmente pelo corpo, brincadeiras, histórias e situações concretas. No Ensino Fundamental, ganha espaço a capacidade de nomear sentimentos, compreender comportamentos e resolver pequenos conflitos. Na adolescência, questões relacionadas à identidade, ao bullying e à influência das redes sociais passam a ter maior relevância. “Há uma progressão da experiência concreta para a reflexão, da reflexão para a argumentação, da argumentação para a tomada de decisão consciente”, explica a educadora.
Entre as iniciativas empreendidas no Colégio Rio Branco está o Projeto Convivência, orientação aos estudantes da Educação Infantil ao 5º ano, com atividades que envolvem brincadeiras, rodas de conversa, literatura, arte, dinâmicas de grupo e projetos interdisciplinares.
Para os estudantes mais velhos, a partir do 9º ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, propostas como o Coletivo Humana Mente e o Coletivo Voar ampliam as oportunidades de discussão e participação. As primeiras aulas para conversar sobre temas contemporâneos e dilemas humanos. Já o segundo envolve os estudantes em uma formação sobre ética, mediação de conflitos, responsabilidade e liderança.
No 8º ano do Ensino Fundamental, o componente curricular Jovem em Perspectiva também abordou questões próprias da adolescência, como imagem e autoimagem, bullying e cyberbullying, redes sociais e projeto de vida.
Conflitos também podem ser momentos de aprendizagem
Uma convivência saudável não significa eliminar os conflitos. Quando não há situações que representem risco e a segurança dos envolvidos esteja garantida, esses episódios podem ser utilizados para desenvolver responsabilidade, escuta e capacidade de peças.
“O conflito sempre fez parte da escola e, apesar dos desafios que traz, ele precisa deixar de ser visto como uma falha a ser eliminada. É claro que situações extremas excluem intervenção adulta e proteção, mas, depois de garantir a segurança, existe uma oportunidade de aprendizagem”, ressalta Carolina.
Ao longo do trabalho realizado com os estudantes, o especialista relata mudanças na maneira como eles expressam sentimentos, explicam seus pontos de vista e assumem responsabilidade por suas atitudes. “Não existe uma linha de chegada e as relações humanas não são um conteúdo que se aprende nos livros. A escola também aprende, revê suas práticas e se transforma a partir daquilo que as crianças e os jovens nos ensinam”, afirma.
A participação das famílias
A construção de uma convivência saudável também depende da relação entre escola e família. Segundo a diretora, quando os dois conjuntos estabelecem uma relação de confiança e coerência, valores como respeito, responsabilidade e limites passam a ser compreendidos como princípios importantes para a vida coletiva, e não apenas como regras de um determinado espaço.
“Essa é uma construção coletiva que conta com a participação ativa das professoras, orientação educacional, inspetoria, família, fazendo jus ao provérbio africano que diz que é preciso uma aldeia para educar uma criança”, afirma a diretora.
Mais do que preparar os estudantes para evitar conflitos, o trabalho com convivência busca ferramentas oferecer para que eles possam lidar com diferenças, compreender outros pontos de vista, assumir responsabilidades e tomar decisões conscientes.
“A escola é uma das primeiras experiências coletivas que uma criança tem. Ela precisa aprender a conviver com pessoas que não escolheram, que têm histórias e interesses diferentes e nem sempre concordam com ela. E não é exatamente isso que acontece na sociedade?”, conclui Sperandio.
Sobre o Colégio Rio Branco ( www.crb.g12.br ) – O Colégio Rio Branco é uma das mais reconhecidas instituições de ensino do Brasil, com unidades de Educação Infantil ao Ensino Médio em São Paulo (Higienópolis) e Cotia (Granja Vianna). O colégio é associado à UNESCO e orienta seu projeto pedagógico na aquisição de conhecimentos e competências permeadas pelo diálogo, respeito à diversidade, atitude crítica e edificada em princípios éticos e de solidariedade.
Créditos: Mira Comunicação – Gabriela Canaveira Monteiro
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