A peça Água Doce, da Cia da Tribo, leva crianças e famílias à reflexão sobre rios soterrados de São Paulo

por | fev 18, 2026 | Destaque 2, Destaque da Rádio

Com 30 anos de estrada e um trabalho de pesquisa em teatro baseado num profundo mergulho na cultura popular, a Cia da Tribo dá a partida em sua circulação por parques e CÉUS da Região Metropolitana de São Paulo, apresentando a peça de teatro para toda a família ÁGUA DOCE, unindo cultura , educação e meio ambiente.

 Criada em 2018, a obra tem trajetória de sucesso: Melhor Espetáculo de Rua pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e SP de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem na categoria Sustentabilidade. A companhia circulou por todo o Brasil, realizando aproximadamente 180 apresentações ao longo desses oito anos.

ÁGUA DOCE conta a história do mito da Iara e de outros seres folclóricos presentes nas comunidades ribeirinhas. O espetáculo trata da relação do homem com a água doce, a partir de quatro personagens – Iara, Abaré, Cacira e Xirú – que se aventuram para proteger os rios.

A dupla de diretores grupo dos diretores Milene Perez (atriz, artista educadora, autora, figurinista e produtora teatral ) e Wanderley Piras (ator, autor, artista educador e bonequeiro ) recorre a figuras da Cultura Popular brasileira para conscientizar o público sobre a imensidão de rios que circulam abaixo dos nossos pés. “Com este trabalho nós lançamos um olhar para os nossos rios, que apesar de escondidos, continuam lá e são referências históricas e culturais na identidade da cidade ”, afirmam Milene e Wanderley.

Segundo Milene, o processo de criação da peça ganhou força a partir de uma experiência em sala de aula. Ao realizar uma aula de artes com crianças em um parque, escutaram um aluno dizendo estar ouvindo o som de água corrente. A professora levantou uma tampa de bueiro e descobriram, junto com à turma, que abaixo deles corria um rio. 

“Todos nós ficamos olhando para ele e a experiência foi muito impactante, além de ter mudado a relação que aquelas crianças tinham estabelecido com os rios até então, que muitas vezes são tidos apenas como sujos ou causadores de enchentes”, conta a diretora. A partir desse fato, a Cia da Tribo buscou nas lendas e costumes dos povos ribeirinhos os elementos para a criação do trabalho. 

Os bonecos, que representam figuras da cultura popular brasileira como Iara, a Mãe do Rio, Cabeça de Cuia; Jaguarão; Pirarucu e Cobra Grande foram confeccionados pelo artista plástico Adriano Castelo Branco a partir de materiais reutilizáveis. “Os bonecos chamam tanta atenção que até deixamos eles à mostra do público depois das apresentações, criando uma espécie de exposição ao ar livre”, diz Milene.

Os artistas da Cia do Tribo fazem uso da linguagem poética para que o público perceba as questões que estão sendo tratadas. Uma das alegorias da peça é Iara, que exilada na pororoca (o encontro das correntes de um rio com as águas oceânicas) observa como a inveja e a ganância, podem fazer mal à natureza, matando os peixes e secando os rios.

“São muitos os rios e córregos soterrados e retificados na cidade, como Anhangabaú, Ipiranga, Tamanduateí, entre outros”, contam Milene e Wanderley. “São rios caudalosos colocados em canos”, afirmam. Os artistas complementam que o processo de retificação é muito agressivo, pois os cursos dos rios são muito sinuosos e, para que eles cumpram uma rota específica, tiveram as margens cimentadas ou foram encanados, a partir de uma justificativa de erguimento da cidade.

Serviço

ÁGUA DOCE

Cia da Tribo
Livre | 50 minutos

Produção Executiva e Redes Sociais Cia da Tribo

Geovana de Oliveira

Contatos: (11) 98320-819

A circulação  será em CEUs e Parques da Região Metropolitana de São Paulo, mais informações sobre a temporada acompanhe as redes da Cia.

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Créditos: ARTEPLURAL Comunicação